Eu recebi este poema numa situação que achei inusitada: por um homem barbudo vestido de baby dool preto com asas de borboletas rosa na porta do Palácio das Artes.
Achei ele muito diferente... e muito legal!!
Silêncio
Não, nunca me esquecerei
da fome que passei.
Não, nunca me esquecerei
da fome que me fizeram passar.
Você deita e o estômago torce.
e retorce,
a lágrima cai,
e ninguém viu,
e você não consegue dormir,
meu bem.
A palavra fica presa na garganta,
torna-se um nó,
e eu nem sei mais.
Tanta dor, tanta dor,
tanta dor.
Não, eu não quero briga.
Eu ando pelas ruas e avenidas,
e me insultam,
apedrejam,
e, muitas vezes, eu abaixo a cabeça
como, simplesmente, um silêncio poético.
Lino Rosa
Nenhum comentário:
Postar um comentário