sexta-feira, 8 de abril de 2016

Lino Rosa - personagem inusitado



Eu recebi este poema numa situação que achei inusitada: por um homem barbudo vestido de baby dool preto com asas de borboletas rosa na porta do Palácio das Artes.
Achei ele muito diferente... e muito legal!!

Silêncio

Não, nunca me esquecerei
da fome que passei.
Não, nunca me esquecerei
da fome que me fizeram passar.
Você deita e o estômago torce.
   e retorce,
   a lágrima cai,
   e ninguém viu,
   e você não consegue dormir,
      meu bem.

A palavra fica presa na garganta,
torna-se um nó,
e eu nem sei mais.
Tanta dor, tanta dor,
     tanta dor.

Não, eu não quero briga.
Eu ando pelas ruas e avenidas,
e me insultam,
apedrejam,
e, muitas vezes, eu abaixo a cabeça
como, simplesmente, um silêncio poético.

Lino Rosa

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